
Keila Nascimento e Danielle Cândido
A biomédica Maria Telma Pinheiro Amorim, supervisora do Centro de Patologia e Medicina Laboratorial (CPML) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) e referência técnica em tuberculose no estado, alerta para a importância da identificação precoce da doença, que ainda representa um desafio para a saúde pública. A data foi lembrada no Dia Mundial de Combate à Tuberculose, em 24 de março.
Com mais de 20 anos de atuação no diagnóstico laboratorial de tuberculose e hanseníase no Laboratório Central de Alagoas (Lacen), a especialista explica que o principal desafio ainda é o reconhecimento precoce dos sintomas. Segundo ela, muitas vezes os sinais iniciais são confundidos com outras doenças respiratórias, o que pode atrasar o início do tratamento.
Telma Amorim explica que a tuberculose pode ser compreendida em quatro fases principais: contágio, sintomas, diagnóstico e tratamento. “Entender essas etapas ajuda a população a reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento no momento adequado”, afirma.
Na fase do contágio, a transmissão acontece pelo ar, por meio da tosse, fala ou espirro de uma pessoa infectada. Uma pessoa com a doença ativa e sem tratamento pode transmitir a bactéria para até 15 pessoas ao longo de um ano.
Na fase dos sintomas, os sinais mais comuns são tosse seca ou com catarro por mais de três semanas, febre persistente principalmente no final da tarde, perda de peso e suores noturnos intensos. Diante desses sintomas, a recomendação da especialista é procurar uma unidade de saúde.
Na etapa do diagnóstico, a orientação é buscar atendimento para realização do teste rápido molecular para tuberculose pulmonar, disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O exame permite a confirmação da doença e o início rápido do tratamento.
Já na fase do tratamento, após a confirmação da doença, o paciente inicia o uso de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS. “O acompanhamento adequado é essencial para evitar o abandono do tratamento e impedir a continuidade da transmissão”, explica.
A especialista destaca ainda que existem formas extrapulmonares da doença e que todos os casos devem ser avaliados por profissionais de saúde. “O tratamento precisa ser seguido corretamente para garantir a cura e evitar que a pessoa continue transmitindo a doença”, completa.
Telma Amorim orienta que qualquer pessoa com sintomas procure uma unidade de saúde o quanto antes. O tratamento adequado e a identificação precoce continuam sendo as principais formas de controle da tuberculose.
