Danielle Cândido
O Ambulatório de Especialidades (Ambesp) da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) realizou, na manhã dessa terça-feira (18), uma atividade com usuárias na sala de espera sobre a identificação das diferentes formas de violência contra a mulher. A ação também apresentou informações sobre a rede de atendimento e os canais disponíveis para denúncia e busca por ajuda.
A atividade foi conduzida pela assistente social Kalyca Nascimento, do Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), unidade assistencial da Uncisal. Kalyca destacou que uma das dificuldades no enfrentamento à violência é a naturalização de comportamentos que podem não ser reconhecidos inicialmente como violação de direitos.
“Muitas vezes, a mulher não consegue se enxergar como vítima porque essa violência está muito enraizada e naturalizada. É importante que ela saiba que não está sozinha e que pode buscar apoio”, explica.
Entre os serviços disponíveis, está o Ligue 180, canal gratuito de orientação e denúncia que funciona 24 horas. Em Alagoas, mulheres em situação de violência também podem procurar a Rede de Atenção às Violências (RAV), que oferece atendimento especializado, além de delegacias e outros serviços da rede de proteção.
Segundo a assistente social, a violência psicológica ainda é uma das formas mais difíceis de identificar. Maus-tratos, ameaças e formas de controle podem ser naturalizados no cotidiano, o que dificulta o reconhecimento da situação e a procura por ajuda.
A atividade também apresentou informações sobre a violência vicária, quando terceiros são atingidos com o objetivo de causar sofrimento à mulher. Kalyca explicou que esse tipo de violência pode envolver filhos, familiares ou até animais de estimação.
Para a paciente Maria José Batista, que esteve no Ambesp pela primeira vez para uma consulta em Pneumologia, a atividade contribuiu para ampliar o conhecimento sobre o tema. “Quanto mais a gente aprende e entende essas situações, mais consegue ajudar outras pessoas”, relata.
Maria José também compartilhou uma experiência vivida na juventude. Ela contou que, ao perceber que a relação em que vivia não oferecia o ambiente que desejava para criar as filhas, ainda pequenas, decidiu seguir outro caminho.
A atividade também contou com a presença de Jocely Aredes, assessora de Humanização do HEHA, que acompanhou e deu apoio à realização da ação.
TRIAGEM SOCIAL
As atividades sobre temas sociais realizadas na sala de espera integram o projeto Socializa e Humaniza. A proposta é abrir espaço para a participação dos usuários e abordar campanhas relacionadas a demandas sociais, a exemplo do Agosto Lilás.
“Apresentamos o tema e abrimos espaço para que os usuários participem, compartilhem situações e tragam exemplos. Após a atividade, o Serviço Social permanece disponível para quem necessitar de uma orientação mais direcionada”, afirma a assistente social do Ambesp, Agda Soares.
Segundo Agda, a equipe realiza uma escuta e uma triagem para identificar as necessidades apresentadas e direcionar cada caso aos serviços específicos, quando necessário.
